Devo informar que o que se segue, pode não ter qualquer fundamento, ou ordem lógica, mas é por causa disto que eu ando às voltas com a cabeça, e preciso mesmo de deitar isto cá para fora. Sinceramente não percebo o que vai na cabeça das pessoas. Não percebo mesmo. Fico cada vez mais desiludida e confusa.
Vou começar pela homossexualidade, que é um tema muito debatido por mim e por uma colega [S.] nos últimos dias. E porquê? Porque há duas raparigas que conhecemos que se andam a comer [para falar bem português], elas jogas as 3 na mesma equipa e á uns dias, á noite comeram-se na carrinha, depois da carrinha, as coisas voltam a acontecer depois dos treinos, mas sempre sem assistência. Elas fazem questão que ninguém assista. Ora, como estamos em pleno Séc. XVII, é completamente compreensível que o resto da equipa as coloque á parte, que o pessoal do colégio goze com ela [apenas uma anda lá no colégio], e que as sigam para o bar onde vão. Qualquer dia são condenadas a arder na fogueira, por se andarem a divertir uma com a outra. Acreditem. A S. já não a posso ouvir. Quando elas repararam no que estava a acontecer na carrinha, no outro dia os comentários eram do tipo: “Ai que nojo”, “Credo. Que porcaria. Até fiquei mal disposta”. Mandavam mensagens aos restantes membros da equipa a perguntar se conseguiram dormir bem de noite, se conseguiram comer alguma coisa.
Isto vai-lhes passar, sei que sim, mas se não passar, não percebo qual é o problema das pessoas. Juro que não entendo. Eu nunca assisti a uma cena destas e sinceramente é-me completamente indiferente. Na minha opinião, desde que elas/eles sejam felizes, ninguém tem rigorosamente nada a ver com isso. Deixem que sigam com a vidinha deles. Mas não, tratam-se as pessoas como se fossem doentes infecciosos. Distância é que é bom. Juro que não entendo. Por exemplo, hoje acordei com mau feitio, estava a almoçar e depois de ter respondido 4 vezes á minha avó, falei mal para ela, ela não tem mais nada e diz-me que assim não arranjo um homem, a minha mãe responde, “Nem um homem nem uma mulher” [gosta de chatear], a minha avó não diz: “F*****e, isso é que não, arranja lá tu um homem qualquer!”. Eu fiquei a pensar, se eu arranjar uma namorada em vez de um namorado, sou condenada á fogueira, mas se arranjar um homem que me mal trate, está tudo bem?!” É esta a mentalidade do Séc. XXI?
Como disse um taxista uma vez, quando nos trouxe os 4 a casa depois de um concerto: “Façam o favor de ser felizes”.
Uma outra coisa que me anda a chatear a cabeça é a S. estou farta disto. Ok. Eu tolero que me imite a forma de vestir, as expressões que uso, e essas coisas todas, mas agora que me façam aquilo que ela anda a fazer, começo a ficar fartinha. Uma das últimas foi, eu dizer que precisava de comprar camisolas de manga cava às cores, isto na quinta-feira, ela na sexta vai comprar as camisolas para ela, enquanto não estava comigo, [10 minutos antes de nos encontrar-mos para almoçar. Tive que ficar á espera] Isto acontece sempre que eu digo que preciso de qualquer coisa. Ou então sobre a festa do avante, os pais dela praticamente nunca a deixam sair de casa durante muito tempo, então eu arranjei um grupinho para ir, o Martim* e a Nana, ela agora está a oferecer-se para ir. Estou tão fartinhaa. Outra coisa nela que me deixa completamente parva, é a forma como ela trata o namorado. Ou deverei dizer maltrata? Bate-lhe, fala muito mal para ele. Basicamente exige que ele lhe compre coisas. Ele liga-lhe a dizer que tem saudades ou qualquer outra coisa, ela fala muito mal para ele, desliga-lhe a chamada na cara, e depois ele é que tem de ligar a pedir desculpa. O rapaz é tão porreiro, que quando eu fiz um jantar cá em casa para os 4, foi ele que me arrumou a cozinha.
Dilema R. e J. [já fazia falta]. A única coisa que me apetece dizer é: “Estou-me a c***r para os dois”. Não consigo, mas vou conseguir. O R. continua a enerva-me como se não houvesse amanhã, ele não tem noção. Quinta-feira, enquanto estava com a S. algures no meio do supermercado, passou-se o seguinte dialogo:
Ela: Hoje o teu amigo foi muito simpático comigo…
Eu: Quem? O R.?
Ela: Sim. Deu-me a vez dele na reprografia.
Eu: C*****o. Se fosse a mim, dava-me um encontrão, passava-me por cima e ainda me atirava pelas escadas. [Ou então olhava para mim com aqueles olhos. A sensação é parecida, mas a única coisa que dói é o coração.]
Quanto ao J. perdi toda a vontade de falar sobre. Foi das pessoas que mais me desiludiu, é bom que ele faça qualquer coisa entretanto. Estou farta das ausências súbitas dele, farta da falta de notícias, farta de tudo. Até deixei de ser eu a mandar as mensagens para combinar cenas. Farta. Depois ontem recebi um mail dele. O mail foi enviado para a prima, o marido da prima, para mim, e para os DOIS da ex-namorada. Também não entendo.
* Martim. O Martim é uma das únicas pessoas que eu sinto que posso mesmo confiar. É mesmo uma pessoa cinco estrelas. A única coisa em que não temos a mesma opinião, é na forma como se trata o sexo oposto. Ele é o tipo de rapaz que come quantas raparigas pode, que tem sexo nos parques subterrâneos da cidade etc. Para mim é a única coisa em que ele falha. Isto, na droga e no álcool, mas já assisti a uma conversa, quase briga entre ele e o “fornecedor”, porque este insistia que tinha umas pastilhas brutais, e ele quase lhe bateu porque as únicas coisas que consome, são substâncias naturais.
Lembro-me da primeira vez que o vi. Calções, t-shirt, ténis, cabelo á surfista. Não falamos. A primeira vez que falamos foi na bilheteira dos autocarros, e como não tínhamos autocarro, fomos beber café e estivemos uma hora á conversa, é impressionante o número de coisas que temos em comum, música, guitarra, gostos em geral. Lembro-me de quando me cantou a música Halellujah do Jeff Buckley enquanto tocava na guitarra, fez-me chorar. Ele tem a paciência de esperar por mim todas as sextas feiras. Convida-me sempre para os concertos da banda dele, conta-me as histórias mais parvas que se passam com ele. Já para não falar da musica que ele compôs e que me enviou. Fui a primeira a ter conhecimento, e fiquei maravilhada com a música.
Agora o meu próximo dilema vai ser se vou á festa da A.E. [ele é o presidente] onde ele vai dar um concerto, ou a um espectáculo qualquer com a S. o M. e o J.